Grupo de Estudos - AULA I - CENÁRIO PARA O SURGIMENTO DO LIVRO DOS ESPÍRITOS

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FRATERNIDADE ESPIRITA CRISTÃ BATUIRA

PROGRAMA DE ESTUDOS DO “LIVRO DOS ESPIRITOS” 2015

Unidade 01: Cenário para o surgimento do Livro dos Espíritos

Visão Histórica

Estudar o “Livro dos Espíritos” é o início da aventura do conhecimento da Doutrina. Visto como uma volta ao Cristianismo em sua pura origem, o Espiritismo se apresenta como a Terceira Revelação, tendo a cultura hebraica como precedente, a filosofia cristã como a grande transformação, vem como o “Consolador Prometido”. Quando se pesquisa a história do Cristianismo, com o peso das suas variantes e o envolvimento das suas “alternativas” ao longo da Civilização Ocidental, nota-se uma evolução no pensamento humano, que leva a compreensão da necessidade de progresso em várias áreas do conhecimento, com a ciência, a filosofia, a sociologia, e até mesma das artes, para, então, a Humanidade descortinar uma nova era.

O Cristianismo surgiu de um pregador, nascido em uma pequena aldeia de um país, dos mais insignificantes conquistados pelo poder Romano. Nada escreveu, teve uma vida pública de apenas três anos, teve como seguidores pessoas extremamente simples, morreu crucificado pelo julgamento de seus próprios compatriotas, e, contrariando as expectativas, se tornou o personagem mais importante da História da Civilização Ocidental. A força de seus ensinamentos, foi e continua sendo, o principal argumento de lutas pelo poder, de motivos de guerras, mas também de infinitas obras de amor e solidariedade em todo mundo.

Repercutindo poderosamente na Grécia, fragilizada militarmente, mas ainda de pensamento aberto, democrático, luz do mundo mediterrâneo, toma forma como Doutrina. Pela dedicação e entusiasmo de seus seguidores se espalha pelo Império Romano, até torna-se a sua religião oficial, como Igreja Católica Apostólica Romana, no Concílio de Niceia.

Com a divisão do Império Romano, em Ocidental e Oriental, também a nova Igreja é dividida, em Católica e Ortodoxa. Acompanhando as conquistas romanas, avançando em novas fronteiras, a Igreja vai se estabelecendo como um forte poder político, através   de alianças, acordos, coroando reis, príncipes, senhores feudais, criando mecanismos, dogmas, tabus, distanciando cada vez mais do Cristianismo verdadeiro.

Inicia-se a Idade Média, com domínio do conhecimento pela Igreja, que, instituindo a Inquisição, limita o pensamento humano. Calam-se os Gregos, os Alquimistas, os Rosa cruzes, os Cátaros, enfim todas as correntes alternativas da busca pelo saber da Humanidade.

Mas, o Homem não se acomoda.

Sempre pela vanguarda das Artes, as grandes transformações se iniciam. Surgem os Renascentistas, trazendo as teorias dos filósofos gregos, materializadas em pinturas, esculturas entre outras formas de arte. As catedrais, os Castelos, os Fortes, grandes construções permitem o surgimento de uma classe social, os artesões livres. O desenvolvimento dos Burgos cria uma nova estrutura social, e a Ciência, nesses novos ares, começa a dar seus primeiros passos, com o livre pensar. E a própria religião oficial é desafiada com os movimentos reformistas. O Homem passa a ser o centro da filosofia, com os Enciclopedistas e, principalmente, com os Iluministas. Surgem as grandes Revoluções Politicas, trazendo uma nova Ordem Social. A Revolução Industrial, impulsionada pela Ciência, transforma a comunicação, a estrutura familiar e as relações de Trabalho. A Sociologia se apresenta como uma Ciência Social, pensadores materialistas apresentam o Socialismo, o Comunismo e o Positivismo.

É no auge de todas essas mudanças, que surge o “Livro dos Espíritos”, o pensamento humano está livre. Sem os grilhões dos dogmas, preconceitos, a alma voa para Deus.

Fenômenos precursores

Os fenômenos, que permitiram o estudo da Doutrina, não surgiram em uma data determinada. A História está repleta destes fatos, mostrando a intercomunicação entre encarnados e desencarnados com grande frequência. Relatos encontrados nos Vedas, nos mais antigos segredos egípcios, nos mistérios dos oráculos gregos, na bíblia mosaica, nos ensinamentos de Cristo, em personagens da Idade Média, como Antônio de Pádua, Joana D’Arc, e tantos outros, encontramos a Mediunidade, confirmando a existência do chamado Mundo Espiritual.

O quadro social, apresentado entre o final do século XVIII e o século XIX, como vimos, favoreceu a liberdade do pensamento, e sem o medo, as notícias dos fenômenos tornam-se comum. Assim vamos encontrar o vidente sueco Emmanuel Swedenborg, engenheiro militar, teólogo, homem de grande cultura, que desde de sua infância teve visões, que intensificam a partir de 1744, e prolongam-se até a sua morte. Visões que descreviam outros mundos com a clareza de um cientista. Ele afirmou “...O Senhor abria os olhos de meu espírito para ver, perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e para conversar em plena consciência com os anjos e espíritos.” (“A História do Espiritismo” Arthur Conan Doyle). Outro notável a destacar, foi Franz Anton Mesmer, medico, descobridor do magnetismo curador, fazendo pesquisas, a partir de 1775, para reconhecer o poder curador mediante a aplicação das maõs. Seus estudos sobre a transmissão de fluidos, prepararam o caminho para o Hipnotismo.

Ouvia-se descrições de tais fenômenos em todo o mundo, mas estabeleceu-se como o fato mais marcante, até mesmo como nascimento do Espiritismo, os acontecimentos ocorridos na aldeia de Hydesville, condado de Wayne, Estado de Nova York. Eram pancadas ou ruídos que respondiam perguntas com as presenças das irmãs Margareth e Katherine, filhas adolescentes de um casal metodista, através de um código pré-estabelecido pelos pesquisadores, chegando mesmo um dos espíritos, Charles Rosma, indicar onde estava seu corpo, emparedado que fora, pelo seu assassino. O movimento repercutiu, e várias comissões foram formadas a procura de fraudes das jovens, que fracassando aumentava o número de interessados.

Logo o fenômeno cruzou o Atlântico, estimulado por vários médiuns, e apresentado pelas “mesas girantes”, torna-se a moda dos principais salões de Paris. São atraídas ilustres figuras da elite cultural e política da sociedade, aderindo aos experimentos nomes como Victor Hugo, Madame Girardin, Flamarion, Delanne, Lamartine, e posteriormente Leon Denis. Entre esses um, em especial, passa a observar e perceber que não se tratava de um simples espetáculo, para diversão da alta sociedade de Paris.

Em 1854, Hippolyte  Léon Denizard Rivail se interessando pelo o assunto, inicia um projeto de interpretação e investigação nas mesas girantes, que vai culminar com o lançamento do “Livro dos Espíritos”, fundação da “Sociedade Pariense de Estudos Espíritas” e a edição da Revista Espírita.

Allan Kardec

Hippolyte Léon Denizard  Rivail nasceu em Lyon, na França, a 3 de outubro de 1804. Fez seus estudos iniciais nessa cidade e completou-os em Yverdon, na Suíça, com o educador Jean Henri Pestalozzi. Bacharel em Ciências e Letras, vai a Paris, onde desenvolve grande carreira na área da educação, publica várias obras, utolizadas pela Universidade de França, funda o Instituto Técnico, leciona no Liceu Polimático e torna-se membros de várias sociedades sábias, entre outras a Real Academia de Ciências Naturais. Casou-se em 1832 com Amélie Gabriéle Boudet. Conhecido pelo seu caráter, pela capacidade de reflexão, lógica e rigor de método, pelo seu idealismo e pela benemerência. Dedicou-se ao estudo dos fenômenos espíritas de 1855 a 1869, quando desencarnou a 31 de março. Produziu o acervo básico da Doutrina Espírita, com o pseudônimo de Allan Kardec, nome assumido em uma de suas encarnações entre os Druidas da Gália.

As obras básicas

Compõe as obras básicas da Doutrina Espírita:

“O Livro dos Espíritos” (1857)

“O Livro dos Médiuns” (1861)

“O Evangelho segundo o Espiritismo” (1864)

“O Céu e o Inferno” (1865)

“A Genese” (1868)

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