Grupo de Estudos - AULA II - CARACTERÍSTICAS DA REVELAÇÃO ESPÍRITA

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No caminho percorrido pela humanidade na busca por uma força ou Ser Superior, nessa trajetória,a concepção de Deus muda conforme a nossa evolução.

Nesse cenário temos a primeira revelação com Moisés, o que representou um grande avanço para o homem da época. O Deus de Moisés é forte e poderoso e lhe revelou os dez Mandamentos, um Código de Conduta Moral para um povo turbulento e indisciplinado. Contudo o Deus revelado por Moisés ainda é duro e parcial.

Tal concepção muda com Jesus (segunda revelação); que mostra-nos Deus não mais como o Ser vingativo, mas o Pai, o Criador que auxilia a sua criação emanando amor, base de suas Leis Universais, que regem a tudo.

A terceira revelação, trazida pelo Espiritismo, resgata os ensinamentos de Cristo e explicando-nos de onde viemos, para onde vamos e porque estamos na terra.

Ao contrário das duas primeiras revelações, centralizadas em duas figuras – Moisés e Jesus – a Doutrina Espírita é fruto da comunicação de vários Espíritos, universalizando o seu ensino.

“Deus quis que a nova revelação chegasse aos homens por um meio mais rápido e mais autêntico. Eis porque encarregou os Espíritos de a levarem de um polo a outro, manifestando-se por toda a parte, sem dar a ninguém o privilegio exclusivo de ouvir a sua palavra” Kardec – ESE.

A autoridade da DE decorre da vontade divina que fez com que a nova revelação chegasse aos homens mais rapidamente e de maneira autêntica, porque encarregou os Espíritos de a levarem de norte a sul, manifestando-se por toda orbe, sem dar privilégio a ninguém. Um homem pode enganar-se mais isso não acontece quando milhões veem e ouvem a mesma coisa: essa é a garantia para cada um e para todos.

São os próprios Espíritos que fazem a propaganda, com a ajuda de inumeráveis médiuns, comunicando-se por todo o planeta, a todos os povos e todos os partidos, sendo aceitos por todos. Isso era necessário para que Ele pudesse chamar todos os homens à fraternidade.

Esse ensino não foi privilégio de nenhum indivíduo, a Doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque é deduzida pelo trabalho do homem da observação dos fatos que os Espíritos lhe põem sob os olhos, e das instruções que lhe dão, instruções que ele estuda, comenta, compara, a fim de tirar ele próprio às conclusões e aplicações.

O que caracteriza a revelação Espírita é o ser Divino a sua origem, a inciativa dos Espíritos; e sua elaboração fruto do trabalho do homem.

A moral ensinada pelos Espíritos é a do Cristo, pela simples razão de que não há outra melhor. O ensino dos Espíritos acrescenta a moral do Cristo o conhecimento dos princípios que regem as relações entre mortos e vivos, princípios que completam as noções vagas que Ele havia dado acerca da alma, de seu passado, e de seu futuro, dando por sanção a doutrina Cristã, as próprias leis da natureza.

Assim o homem se reconhece solidário com todos os seres e compreende essa solidariedade; a caridade e a fraternidade se tornam uma necessidade social; ele faz por convicção, que fazia unicamente por dever, e o faz melhor.

O TRIPLICE ASPECTO:

A doutrina dos Espíritos é estruturada em o Livro dos Espíritos para a análise da razão sob a forma de ciência, filosofia e religião.

O Espiritismo é filosofia, com raízes na própria tradição filosófica (a partir das escolas gregas). Essa é a razão pela qual Sócrates e Platão figuram na Codificação como precursores do Cristianismo e, por conseguinte, do Espiritismo. O Livro dos Espíritos fora até mesmo escrito na forma de diálogos (Platão): perguntas e respostas.

Kardec analisa a doutrina e afirma: “sua força está na filosofia, no apelo que faz a razão e ao bom senso”.

Contudo, o Espiritismo não é só filosofia, é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia compreende todas as consequências morais que dimana dessas relações. “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal”.

Devemos recordar que o Espiritismo surgiu primeiro como ciência, que é o seu outro aspecto. Contudo a ciência espírita difere da ciência materialista, rompendo definitivamente com a barreira de pressuposto para firmar em bases lógicas e experimentais seus princípios.

Princípios esses revelados aos homens por meio de provas irrecusáveis: a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo.

A ciência espírita compreende duas partes: uma experimental, sobre as manifestações em geral; outra filosófica, sobre as manifestações inteligentes.

Finalmente como terceiro aspecto da doutrina, fechando o triangulo surge o aspecto religioso, porem, o espiritismo é muito diferente das religiões tradicionais, visto ser desprovido de rituais, sacramentos, idolatria, paramentos, mitos e quaisquer cultos exteriores. A doutrina espírita por isso, como religião que efetivamente é, surge do exercício da razão; daí a ideia de fé raciocinada, “crê-se porque se tem certeza, e só se está certo quando se compreendeu”.

Aceitamos as bases cientifica e filosófica em que repousa a doutrina espírita, contudo sua condição de Cristianismo restaurado, aperfeiçoando almas e renovando a vida na Terra, para a vitória do infinito bem, sob a Égide do Cristo, nosso Divino Mestre e Senhor.

O ESPIRITISMO É O CONSOLADOR:

“Se vós me amais, guardais meus mandamentos; e Eu pedirei a meu Pai, e Ele vos enviará outro Consolador, afim de que permaneça eternamente convosco, o Espírito de verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê e não o reconhece. Mas quanto a vós, vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós. Mas o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo àquilo que Eu vos tenha dito”. Jesus (João, cap XIV, ver 15-17).

Jesus nessas máximas traz nova esperança para todos, pois Ele nos promete um Consolador que vem lembrar tudo o que disse e trazer novos ensinamentos, que na época a humanidade não estava pronta para entender, fortalecendo assim a fé no futuro.

O Espírito da verdade preside o trabalho da terceira revelação, o Consolador prometido, que é o Espiritismo, pois somente com o conhecimento da verdade que podemos ser consolados.

O Espiritismo através da manifestação dos Espíritos vem confirmar, explicar e desvendar os mistérios que estavam ocultos sobre o véu, trazendo consolação e entendimento as almas sequiosas de uma causa justa e um objetivo útil, com respostas concretas a todas as dúvidas e aflições.

Quando Jesus disse: “bem aventurados os aflitos, porque eles serão consolados”, já nos mostrava a importância de acreditarmos em dias melhores no amanhã. E esse amanhã pode significar a felicidade das existências futuras.

No trabalho de purificação, ou seja, nas dificuldades que passamos é que se dá o aprendizado espiritual. Portanto, as dificuldades que precisamos vivenciar são resultados do mal uso de nosso livre arbítrio. Com o esclarecimento que a doutrina Espírita nos propicia, através da pluralidade das existências sabemos que Deus é justo, bondoso e misericordioso, portanto, devemos passar pelos percalços da vida, com sentimento de resignação e submissão as vontades de Deus, associadas à fé verdadeira e confiança no futuro.

ESPIRITISMO, UMA PALAVRA NOVA:

Espiritualismo é o oposto do materialismo, quem quer que acredite haver em si mesmo alguma coisa além da matéria é espiritualista; mas não se segue daí que creia na existência dos Espíritos ou em sua comunicação com o mundo visível.

O Livre dos Espíritos surge como uma nova luz para a humanidade, pois esclarece os pontos obscuros que os homens da ciência não podiam descrever. Surge uma nova doutrina, o Espiritismo, que tem como base o espiritualismo, doutrina oposta ao materialismo.

Kardec, para diferenciar o Espiritismo do Espiritualismo, nova palavra deve ser criada, pois a partir desse momento toda aquela que disser adepta a Doutrina Espírita está designado de Espírita.

O USO DA MEDIUNIDADE:

“A cesta ou prancheta não podem ser posta em movimento senão sob a influência de certas pessoas, dotadas para isso de um poder espiritual... “, ou seja, médiuns, intermediários entre os Espíritos e os homens.

“ A mediunidade é atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capítulo da virtude e inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo “ (o Consolador – 382).

Todos os homens são médiuns. Todos tem um Espírito que os dirige para o bem, quando eles sabem escutá-lo. Todos a possuem em graus que diferem de acordo com o indivíduo, porem, o termo propriamente dito se aplica a pessoas dotadas de mediunidade ostensiva no campo dos fenômenos físicos e intelectuais.

A IDEIA ESPÍRITA DE ALMA – O PERISPÍRITO:

- A alma é o Ser imaterial e individual que existe em nós e sobrevive ao corpo.

- O Perispírito é o envoltório sutil e perene da alma que possibilita sua interação com os meios espiritual e físico.

- Chamamos Espírito a alma revestida do seu corpo fluídico (Leon Denis).

A união da alma, do perispírito e do corpo material, constitui o homem. Separados do corpo, a alma e o perispírito constituem o “Ser” denominado Espírito.

“A alma é um ser simples; o espírito um ser dual e o homem um ser trino”.

“Seria mais exato reservar a palavra alma para designar o Princípio Inteligente e o termo Espírito para o Ser semi-material formado desse princípio e do corpo fluídico; mas, como não se pode conceber o Princípio Inteligente isolado da matéria, nem o perispírito sem ser animado pelo Princípio Inteligente, as palavras Alma e Espírito são, no uso, indiferentemente empregadas, uma pela outra; filosoficamente porem é essencial fazer-se a diferença”. (O que é o Espiritismo – Kardec cap XI – item 14).

LIVRO DOS ESPÍRITOS E SUAS DIVISÕES:

O Livro dos Espíritos, primeiro livro da codificação, publicado em sua primeira edição em 18 de abril de 1857. O Livro dos Espíritos contem a Doutrina Espírita, encontra-se estruturado em quatro livros:

Livro Primeiro: As Causas Primárias – o livro primeiro começa pela metafísica, passando depois a cosmologia, a psicologia. Estuda Deus e dois elementos gerais do Universo; matéria e Espírito, que constituem a trindade universal.

Livro Segundo: Mundo Espírita ou dos Espíritos – no livro segundo são estudados os conceitos fundamentais acerca do Princípio Inteligente – Espíritos. Da psicologia, aos problemas propriamente espíritas da origem, e natureza dos Espíritos e suas ligações com o corpo, bem como aos da vida após a morte.

Livro Terceiro: As Leis Morais – são estudadas as leis morais, a sociologia e a ética.

Livro Quarto: Esperanças e Consolações – no quarto livro, considerações de ordem teológica sobre as penas e gozos futuros e a interferência de Deus na vida humana. Conclui-se: do cumprimento ou não das Leis Morais decorrem necessariamente, as penas e gozos terrestres ou as penas gozos futuros.

O espiritismo pela filosofia que indaga e pela ciência que esclarece, reconheceremos sempre no espiritismo o Evangelho do Senhor redivivo e atuante, para instalar com Jesus a Religião cósmica do amor universal e da Divina sabedoria sobre a terra.

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