GRUPO DE ESTUDOS - AULA III - DEUS E O UNIVERSO

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Conceito de Deus

Na primeira pergunta do “Livro dos Espíritos”, Kardec questiona os Espíritos, sobre a definição do “Que é Deus”. A forma como é feita a pergunta já é bastante reveladora, pois não usando “Quem”, ele descaracteriza uma personificação, uma imagem antropomórfica. Busca, sim, uma natureza íntima, a essência do conceito. Os Espíritos respondem: “Deus é a inteligência suprema, causa primaria de todas as coisas”.

Buscando na História da Civilização, encontra-se vários conceitos sobre Deus, que evoluem com o desenvolvimento do conhecimento. Nas sociedades tribais, a ideia de Deus era vinculada aos fenômenos da natureza, de causas desconhecidas, permitindo inúmeros “deuses” que se confundiam com os próprios homens. Os Gregos dividiam o período da criação em idades e na Idade do Ouro, a primeira, os homens viviam em harmonia com os Deuses, que eram liderados por Cronos, um titã, de quem Zeus seria filho, e cultuaram vários Deuses, com funções diversas no controle da natureza. Os Egípcios apresentavam vários Deuses, sendo o Faraó, um tipo de Homem Deus. Os Romanos, com a sua extraordinária liberdade religiosa, importavam e adaptavam os Deuses de suas províncias. No Oriente percebe-se um conceito mais evoluído, que começa a desfazer a ideia antropomórfica apresentando o conceito do Tao na China e o fogo de Zoroastro.  Herculano Pires (em “Concepção Existencial de Deus”) afirma; “O Deus judeu, exclusivista e definiu-se na Bíblia com esta afirmação; “Eu sou aquele que é”. Os homens já percebiam, então, que a multiplicidade dos Deuses era contraditória a si mesma”. Quando Jesus adoça a arrogância do “Deus Judeu”, o chamando de Pai, a ideia do Criador, prevalece sobre os Deuses.

Com o avanço do entendimento do mundo, pelo desenvolvimento da filosofia, com pensadores com Spinoza, Kant, da ciência.com Newton, Darwin, Einstein, Hawking, a Humanidade pode ter uma nova concepção de Deus. Pondera-se que as teorias mais modernas da ciência atual, insinua uma concepção de Deus, como causa primaria de tudo, uma inteligência suprema criadora do Universo. Em “Uma Breve História do Tempo”, Stephen Hawking discute temas como a natureza de Deus e as teorias unificadas, a Teoria de Tudo. A propositura de um “Big Bam”, de onde teria sido criado o Universo, presume uma força externa e criadora.

Provas da Existência de Deus

Ainda de Herculano em obra citada: “Os Deuses não foram inventados pelos homens, como querem as teorias de Taylor e Spencer, ainda hoje sustentadas pelo materialismo cientifico. Os mitos nascem do seio da Mãe-Terra, evocados pelo coração dos homens, e sobem aos escalando montanhas ou nos vapores d’agua que se acumulam na atmosfera.” O sentimento da existência de um ser supremo acompanha o Homem desde a infância da Civilização. Esse sentimento é universal, não é produto de um ensinamento.

Encontra-se uma força criadora na harmonia gerada pelas leis da Natureza, na percepção da necessidade de causa para o efeito. Julga-se o poder de uma inteligência pelas suas obras. Como nenhum ser humano pode criar o que a Natureza produz, a causa primaria há de estar em uma inteligência superior à Humanidade.

Atributos da divindade

Os limites materiais (sentidos, cérebro...) do corpo humano e o estágio evolutivo dos espíritos, impedem que a Humanidade conheça a natureza intima de Deus. Mas, pelo seu raciocínio, pode chegar ao conhecimento de seus atributos. Na imagem mitológica, o Homem não suportaria a “visão de Deus”, na sua plenitude. Assim n questão 13 do “Livro dos Espíritos”, os espíritos afirmam: “...A razão vos diz, com efeito, que Deu deve ter essas perfeições no supremo grau, porque se delas tivesse uma só de menos ou que não fosse de um grau infinito, ele não seria superior a tudo e por conseguinte não seria Deus”

Resume, ainda, alguns desses atributos:

Deus é eterno, é imutável, é imaterial, é único, é todo-poderoso, é soberanamente justo e bom.

Providencia Divina

No estado em que se encontra, os homens só podem compreender Deus, com suas limitações e dificuldades. Mas, não se pode imaginar um mundo em que Ele, após cria-lo, tenha o deixado seguir seu destino, sem a ação Dele no seu Existir (deísmo). “Deus não joga dados”, afirmou Einstein ou não teria criado o mundo e “jogada a chave fora”

Também para o Espiritismo, não pode-se usar o conceito do Panteísmo. Deus não poderia ser a soma de todas as forças, coisas e inteligências, pois dessa forma seria causa e efeito. Na questão 16, há um comentário de Kardec, definitivo para o questionamento:

“Esta Doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de uma inteligência suprema, seria em grande o que somos em pequeno. Ora, a matéria se transformando sem cessar, se o fosse assim, Deus não teria nenhuma estabilidade, e estaria sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais a Divindade: a imutabilidade.”

Bibliografia

“O Livro dos Espíritos” – Allan Kardec

“O Céu e o Inferno” – Allan Kardec

“A Gênese” – Allan Kardec

“Obras Póstumas” – Allan Kardec

“Concepção existencial de Deus” –Herculano Pires

“Darwin e Kardec um diálogo possível” –Hebe Laghi de Souza

Apostila da USE (1985)- Proposta de Estudo de “O Livro dos Espíritos”

 

 

 

 

 

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