UNIDADE VI: ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO

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Unidade 6 :  Princípio Vital

Como nos fala Kardec... “Espiritismo, a loucura do séc. XIX, segundo os que se obstinam a permanecer na margem terrena nos patenteia todo um mundo, mundo bem mais importante para o homem... pois todos sem exceção de nenhum vão ao (mundo) dos Espíritos fazendo incessantes travessias de um para o outro”.

A Gênese – cap X

Até agora estabelecemos paralelos entre a Ciência (materialismo) e o Espiritismo explicando a coerência e concordância em amplos aspectos, porém a Ciência analisa e descobre sobre a vida e a morte fatos puramente materiais, excluindo tudo o que transcende à matéria.

A partir dessa aula incluiremos o Espírito e toda sua trajetória evolutiva como parte principal e importante, constituindo o real objeto de estudo da Ciência Espírita.

Querer justificar a vida como produto casual, com todas as suas leis extremamente perfeitas, que regem toda a organização biológica dos seres, suas interações com o mundo, seria o mesmo que imputar ao acaso uma sabedoria infinita.

A Ciência Espírita oferece a oportunidade de olhar para o ser humano e encontra-lo numa única história, que mostra em toda sua plenitude o corpo físico, biológico, mas dirigido pelo Espírito, fonte real de todas as suas atitudes e de sua evolução.

Hebe Laghi de Souza

Seres Orgânicos e Inorgânicos

A teoria do  Big Bang  nos aponta o surgimento do Universo há   aproximadamente 18 bilhões de anos, e a nossa Terra nos aproximados 4,5 bilhões de anos  - um grande projeto no conteúdo de um ponto (a casca de noz de Stephen Hawking), portador de todo material necessário à formação das galáxias, estrelas, planetas, nós mesmos e a vida em sua plenitude.

A origem da vida no nosso planeta ainda é controversa, fomenta inúmeras teorias e hipóteses variadas. Em meio a todo panorama caótico e insalubre dos primórdios da Terra se questiona:

_ Como uma molécula inorgânica se transformou em matéria orgânica, dando origem à vida?

A resposta precisou acompanhar o desenvolvimento científico da humanidade e aí foram surgindo hipóteses que tentaram explicar:

  • Criacionismo e Fixismo – Deus criou a vida no planeta e fixou as espécies, que não sofrem evolução   (na época, a Igreja estava no comando da Ciência)
  • Panspermia ou Cosmogenia – A vida veio de outro planeta   (mas,...como a vida surgiu no outro planeta?)
  • Abiogênese – a vida surge de matéria inanimada que possuía uma “energia” que forma os seres vivos
  • Biogênese – um ser vivo surge de outro ser vivo  (mas,...de onde veio o 1º)

  • Oparin e Haldane – hipótese aceita hoje pela Ciência:

Nossa Terra na origem apresentava:

Atividade vulcânica e tempestades constantes, sem a camada de ozônio, pois o oxigênio só existia na água, com temperaturas aproximadas de 50º célsius, descarga elétrica, radiação, tornando o ambiente totalmente insalubre, composto basicamente de:

(metano + hidrogênio + amônia + vapor de água).

Quando o panorama atmosférico apresentou transformações atenuando esse caos, os elementos químicos que sofreram com a radiação, começaram a ser quebrados em moléculas mais simples, sendo levados ao oceano primitivo (O – C – H – N – Cl – I – F – P – S e todos os metais)  formando uma espécie de “sopa”, cujos átomos se agruparam formando as estruturas básicas  de moléculas de aminoácidos (das proteínas), de ácidos graxos (lipídeos), de monossacarídeos (açúcares)  que se juntaram e formaram as primeiras estruturas orgânicas complexas chamadas de COACERVADOS.

Esses coacervados se juntam ao RNA, que também estava disponível nessa sopa e a partir daí ele se transforma em  PROTOBIONTE – o primeiro ser orgânico, há aproximadamente 1 bilhão de anos atrás.

Tudo muito concorde com o proposto por Kardec em 1868 quando do lançamento de A Gênese, em que ele afirma que a vida teve origem numa evolução química composta de reações e agregações moleculares de complexidade gradualmente crescente e que os elementos químicos presentes nesse primeiro momento foram exatamente os propostos por Oparin : O – C – H – N – Cl – I – F – P  – S    e todos os metais.

Nessa “sopa”, Oparin esqueceu de acrescentar o principal ingrediente – o PRINCÍPIO ESPIRITUAL – que também estava destinado a evoluir passando pelos estágios primários se integrando no nosso planeta.

É preciso que se diga que há um consenso de que os primeiros seres vivos ou portadores de vida foram massas ou gotas de um material gelatinoso (coacervados) que, foi denominado pelos espíritos de mônada celeste. Somente adquiriram vida os que se auto-reproduziam, devido a ligação com o DNA, ou um produto precursor, similar.

A Ciência admite uma interferência externa (Deus, para os religiosos) nesse acontecimento, pois como declarou Francis H. Crick, um dos descobridores da estrutura do DNA, não há a menor possibilidade da montagem aleatória do DNA a partir das unidades básicas que o compõe. Foi tudo muito causal  (não ao acaso).

Rino Curti, no seu livro Espiritismo e Evolução destaca os atributos da vida biológica, ou seja, o que é necessário para que haja vida:

1º-  DNA – código genético transmissível

2º-  Reprodução

3º-  Corpo (envoltório)

4º-  Alimentação

5º- Utilização da energia externa

6º- Utilização da energia química armazenada

7º- Excreção

8º- Adaptação às condições

9º- Crescimento

10º- Morte

Novamente a Genética sendo citada, o que hoje está plenamente provado com as teses científicas, havendo a possibilidade até de se considerar como “avanços” os processos de cura para muitas doenças, a clonagem de bebês, a monopolização de genomas, etc.

Genoma

De forma simples, podemos dizer que genoma é o código genético do ser humano, ou seja, o conjunto dos genes humanos. No material genético podemos obter todas as informações para o desenvolvimento e funcionamento do organismo do ser humano. Este código genético está presente em cada uma das células humanas.

Cromossomos e DNA

O genoma humano apresenta-se em 23 pares de cromossomos que contem interiormente os genes. Todas as informações são codificadas pelo DNA (ácido desoxirribonucléico). O DNA, que possui um formato de dupla hélice é constituído por quatro bases que se juntam aos pares: adenina com timina e citosina com guanima   (A – T  e  C – G)

Utilizando as pesquisas genéticas e exames especializados, já é possível detectar se um embrião herdou doenças graves, possibilitando um tratamento adequado desde os primeiros dias de vida. Este procedimento reduz o impacto da doença sobre o organismo, assim como suas sequelas. Futuramente, quando forem descobertas as funções de todos os genes humanos, muitos outros benefícios virão.

Princípio Vital

Existe igualmente, nos seres orgânicos, uma energia que os mantém vivos, entretendo o funcionamento dos órgãos e cuja extinção leva à morte. Esse é o Princípio Vital.

O Princípio Vital é uma transformação do fluido cósmico universal que animaliza a matéria em presença do princípio inteligente. Ele é o intermediário, o liame entre o Espírito e a matéria.

  • É matéria (rarefeita – quintessenciada)
  • É o mesmo para todos os seres orgânicos
  • Sua quantidade é variável
  • Se esgota ou pode ser insuficiente
  • Pode ser renovado pela absorção dos elementos que o contém
  • Pode ser transmitido

Donde se conclui que o princípio vital não é um agente primitivo, mas uma propriedade especial da matéria que permite ao Espírito habitar um corpo e torná-lo vivo. Quando morto o corpo, o Espírito se vai e o princípio vital se extingue no corpo inerte.

O fenômeno da morte também expressa a condição de vida, pois tudo o que vive deverá morrer, seja qual for a causa determinante para que isso ocorra.

Nosso espírito necessita da vida na matéria para cumprir suas metas de crescimento, equilíbrio e evolução desde a sua criação: simples e ignorante, como princípio espiritual, prestes a experimentar a vida orgânica, dependíamos do auxílio dos seres celestes para executar as ligações primeiras com a matéria.

A Terra se constituía assim num imenso laboratório.

No decurso do tempo, aprendemos a dominar esse material disponível para o progresso do corpo físico, imprimindo no corpo espiritual (períspirito) e fixando no Espírito, as experiências por que passamos; guardamos nele tudo o que adquirimos, somando-as no percurso das diferentes encarnações às quais somos sujeitos, criando um campo mental onde transformamos o aprendizado em instinto.

Instinto e Inteligência

O instinto foi o primeiro auxiliar dos organismos vivos à perpetuar a trajetória evolutiva assimilando os mecanismos automáticos da circulação, respiração, digestão, excreção, a se repetir e aperfeiçoar, juntamente com o código genético de cada ser.

A princípio só instintivamente, tempos depois, desenvolvendo  a inteligência, puderam os seres orgânicos traçar sua própria rota evolutiva em cada espécie.

De O livro dos Espíritos : respostas das questões 71 à 75-a

O instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres vivos provêm as suas necessidades.

Instinto e inteligência frequentemente se confundem, mas, podemos muito bem distinguir os atos que pertencem a um e a outro.

O instinto é uma inteligência rudimentar, por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as da inteligência são o resultado de apreciações e deliberações.

As faculdades instintivas não diminuem à medida em que crescem as intelectuais, nunca se enganam, às vezes nos guiam mais seguramente que a razão, pois essa pode ser falseada pela má educação, pelo orgulho e o egoísmo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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