UNIDADE VII: DOS ESPÍRITOS

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Sétima Unidade – Capítulo 1: Dos Espíritos – Questões de #76 a #131

Origem e natureza dos Espíritos

Os espíritos são seres incorpóreos inteligentes, criados continuamente por Deus como seus filhos e submissos à Sua Vontade, que povoam o Universo, fora do mundo material.

Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material.

Eles não sabem quando e como Deus os criou. Isto é um mistério. Depois de criado, a existência do Espírito é eterna.

Mundo normal primitivo

O mundo (setor/ plano) dos Espíritos é pré-existente ao mundo (setor/ plano) material e sobrevive a tudo, portanto é o principal entre os dois.

Os mundos (setores/ planos) espiritual e material são independentes, entretanto, sua correlação é incessante, porque reagem incessantemente um sobre o outro.

Os Espíritos estão em todos os lugares, povoam infinitamente os espaços. Estão sempre ao vosso lado, vos observam e agem entre vós sem os perceberdes, porque os Espíritos são uma das forças da natureza e os instrumentos dos quais Deus se serve para a realização de Seus Desígnios Providenciais. Mas nem todos vão a todos os lugares, porque há regiões interditadas aos menos avançados.

Forma e ubiqüidade dos Espíritos

O espírito é uma chama, um clarão ou centelha etérea, cuja cor vai do escuro ao brilho do rubi, conforme o seu grau de pureza (evolução intelectual e moral).

O pensamento é um atributo da alma. Quando o pensamento está em algum lugar, a alma também está. Os espíritos percorrem o espaço na velocidade superior à da luz (velocidade do pensamento).

A matéria não oferece algum obstáculo a passagem dos Espíritos (Penetrabilidade: o ar, a terra, as águas e até mesmo o fogo lhes são igualmente acessíveis).

Os Espíritos mais puros podem irradiar seu pensamento para vários pontos ao mesmo tempo, parecendo estar simultaneamente em diferentes lugares (ubiqüidade).

Perispírito

O Espírito é envolvido por um envoltório semimaterial, suficientemente vaporosa para poder se elevar na atmosfera (volitação) e se transportar para onde quiser (isto depende do grau de evolução do espírito).

O espírito forma o seu perispírito do fluido universal do globo onde vive ou o troca quando visita um outro mundo (porque são diferentes).

O espírito pode dar formas determinadas que lhe convém ao seu perispírito  (plasticidade). É assim que se apresenta, algumas vezes, nos sonhos, ou quando estais acordados, podendo tomar uma forma visível (agênere) e até mesmo palpável.

Diferentes ordens de Espíritos

Os espíritos pertencem a diferentes ordens, de acordo com a inteligência e grau de moralidade que possuam.

Considerando-se as características gerais, pode-se reduzi-las às três principais:

Terceira ordem: Espíritos em início da evolução, inexperientes, imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e por todas as más paixões que retardam seu adiantamento. Não são essencialmente maus. Uns não fazem o bem nem o mal; outros, ao contrário, se satisfazem no mal e sentem prazer quando encontram a ocasião de o fazer. E há ainda os Espíritos levianos ou zombadores, mais brincalhões do que maus, que se satisfazem antes na malícia do que na maldade e que encontram prazer em mistificar e causar pequenas contrariedades das quais se riem.

Segunda ordem: Espíritos que atingiram o meio da escala. O desejo do bem é sua preocupação. Têm o poder de praticar o bem segundo o grau de sua perfeição. Uns têm a ciência, outros a sabedoria e a bondade, mas todos ainda têm provas a cumprir.

Primeira ordem: Espíritos puros que chegaram ao grau supremo da perfeição (relativa).

Escala espírita

Terceira ordem – Espíritos imperfeitos

Características gerais: Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão ao mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as más paixões que são suas conseqüências.

Eles têm a intuição de Deus, mas não o compreendem.

Nem todos são essencialmente maus. Entre alguns há mais leviandade, inconseqüência e malícia do que verdadeira maldade. Alguns não fazem o bem nem o mal; mas, apenas pelo fato de não fazerem o bem, já demonstram sua inferioridade. Outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram a ocasião de o fazer.

Podem aliar a inteligência à maldade ou à malícia; mas qualquer que seja seu desenvolvimento intelectual, suas idéias são pouco elevadas e seus sentimentos mais ou menos inferiores.

Seus conhecimentos sobre as coisas do mundo espírita são limitados e o pouco que sabem se confunde com as idéias e os preconceitos da vida corporal. Eles podem nos dar apenas noções falsas e incompletas, mas o observador atento encontra, muitas vezes, em suas comunicações imperfeitas, a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos Superiores.

Seu caráter se revela pela sua linguagem. Todo Espírito que em suas comunicações revela um mau pensamento pode ser classificado na terceira ordem. Por conseqüência, todo mau pensamento que nos é sugerido vem de um Espírito dessa ordem.

Eles vêem a felicidade dos bons e isso é, para eles, um tormento incessante, porque sentem todas as agonias que originam a inveja e o ciúme.

Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corporal e essa impressão é, muitas vezes, mais dolorosa do que a realidade. Sofrem, verdadeiramente, pelos males que suportaram em vida e pelos que fizeram os outros sofrer. E como sofrem por longo tempo, acreditam que sofrerão para sempre. A Providência, para puni-los, permite que assim pensem.

Pode-se dividi-los em cinco classes principais:

Décima classe. Espíritos Impuros: São inclinados ao mal e fazem dele o objeto de suas preocupações.(demônios, maus gênios, espíritos do mal)

Nona classe. Espíritos Levianos: São ignorantes, maliciosos, inconseqüentes e zombeteiros. Envolvem-se em tudo, respondem a tudo, sem se preocupar com a verdade.

Oitava classe. Espíritos Pseudo-Sábios: Seus conhecimentos são bastante amplos, mas acreditam saber mais do que sabem na realidade.

Sétima classe. Espíritos Neutros: Não são bastante bons para fazer o bem, nem suficientemente maus para fazer o mal.

Sexta classe. Espíritos Batedores e Perturbadores: Manifestam, freqüentemente, sua presença por efeitos sensíveis e físicos, como pancadas, o movimento e o deslocamento anormal dos corpos sólidos, a agitação do ar, etc (agentes principais das variações e transformações das forças e elementos da natureza no globo).

Segunda ordem – Bons Espíritos

Características gerais: Predominância do Espírito sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e poder para fazer o bem estão em conformidade com o grau que alcançaram. Uns têm a ciência; outros, a sabedoria e a bondade. Os mais adiantados reúnem o saber às qualidades morais. Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, de acordo com sua categoria, os traços da existência corporal, tanto na forma da linguagem quanto nos costumes, entre os quais se identificam algumas de suas manias. Não fosse por isso, seriam Espíritos perfeitos.

Compreendem Deus e o infinito e já gozam da felicidade dos bons; são felizes pelo bem que fazem e pelo mal que impedem. O amor que os une é uma fonte de felicidade indescritível que não é alterada pela inveja, pelo remorso, nem por nenhuma das más paixões que fazem o tormento dos Espíritos imperfeitos. Mas todos ainda têm que passar por provas até que atinjam a perfeição absoluta.

Como Espíritos, sugerem bons pensamentos, desviam os homens do caminho do mal, protegem a vida daqueles que se tornam dignos e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre os que não têm por que passar por ela.

Quando encarnados são bons e benevolentes com os seus semelhantes. Não são movidos pelo orgulho, egoísmo, nem ambição. Não sentem ódio, rancor, inveja ou ciúme e fazem o bem pelo bem.

A esta ordem pertencem os Espíritos designados nas crenças populares pelos nomes de gênios bons, gênios protetores, Espíritos do bem. Nos tempos de superstições e ignorância, foram tidos como divindades benfazejas.

Pode-se dividi-los em quatro grupos principais:

Quinta classe. Espíritos Benevolentes – Sua qualidade dominante é a bondade; satisfazem-se em prestar serviços aos homens e em protegê-los, mas seu saber é limitado. Seu progresso é maior no sentido moral do que no intelectual.

Quarta classe. Espíritos Prudentes ou Sábios – O que os distingue especialmente é a abrangência de seus conhecimentos. Preocupam-se menos com as questões morais do que com as científicas, para as quais têm mais aptidão. Mas consideram a ciência somente do ponto de vista da utilidade, livre das paixões que são próprias dos Espíritos imperfeitos.

Terceira classe. Espíritos de Sabedoria – As qualidades morais do mais elevado grau formam seu caráter. Sem ter conhecimentos ilimitados, são dotados de uma capacidade intelectual que lhes dá um julgamento preciso e sábio sobre os homens e as coisas.

Segunda classe. Espíritos Superiores – Reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade. Sua linguagem revela sempre a benevolência e é constantemente digna, elevada, muitas vezes sublime. Sua superioridade os torna mais aptos que os outros para nos dar noções mais justas sobre as coisas do mundo incorpóreo, dentro dos limites do que é permitido ao homem conhecer. Comunicam-se benevolentemente com os que procuram de boa-fé a verdade e que têm a alma já liberta dos laços terrestres para compreendê-la. Mas se afastam dos que são movidos apenas pela curiosidade ou dos que a influência da matéria desvia da prática do bem.

Primeira ordem – Espíritos puros

Características gerais: Não sofrem nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta em relação aos Espíritos das outras ordens.

Primeira classe. Classe Única – Passaram por todos os graus da escala e se libertaram de todas as impurezas da matéria. Tendo atingido o mais elevado grau de perfeição de que é capaz a criatura, não têm mais que sofrer provas nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, a vida é para eles eterna e a desfrutam no seio de Deus.

Gozam de uma felicidade inalterável por não estarem sujeitos nem às necessidades, nem às variações e transformações da vida material. Mas essa felicidade não é de uma ociosidade monótona passada numa contemplação perpétua. São os mensageiros e ministros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal. Comandam todos os Espíritos que lhes são inferiores, ajudando-os a se aperfeiçoarem e lhes designam missões. Assistir os homens em suas aflições, incitá-los ao bem ou à expiação das faltas que os afastam da felicidade suprema é para eles uma agradabilíssima ocupação. São chamados, às vezes, de anjos, arcanjos ou serafins.

Os homens podem entrar em comunicação com eles, mas presunçoso seria aquele que pretendesse tê-los constantemente às suas ordens.

Progressão dos Espíritos

Os espíritos que se melhoram em inteligência e/ou moralidade, passam de uma ordem inferior para uma superior.

Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um uma missão com o objetivo de esclarecê-los e de fazê-los chegar, progressivamente, à perfeição pelo conhecimento da verdade e para aproximá-los de Si. A felicidade eterna e pura é para os que alcançam essa perfeição. Os Espíritos adquirem esses conhecimentos ao passar pelas provas que a Lei Divina lhes impõe. Uns aceitam essas provas com submissão e chegam mais depressa ao objetivo que lhes é destinado. Outros somente as suportam com lamentação e por causa dessa falta permanecem mais tempo afastados da perfeição e da felicidade prometida.

O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire a consciência de si mesmo. Não haveria mais liberdade se a escolha fosse determinada ou imposta por uma causa independente da vontade do Espírito. A causa não está nele, e sim fora, nas influências a que cede em virtude de sua livre vontade. É essa a grande figura da queda do homem e do pecado original: uns cederam, outros resistiram à tentação.

Os espíritos das classes inferiores progridem mais devagar, devido à ignorância e à própria vontade em praticar o mal.

Os espíritos imperfeitos que procuram apossar-se dele (encarnado ou desencarnado) para dominá-lo e ficam satisfeitos de o fazer fracassar. Essa influência o segue na sua vida de Espírito até que alcance um domínio tão completo sobre si mesmo que os maus desistam de obsediá-lo.

O espírito não retrocede na escala espírita, mas pode ficar estacionário.

O conhecimento que o espírito adquiriu numa prova, ele não o esquece mais.

Todos os espíritos chegarão a perfeição relativa (pela bondade e amor de Deus), independente dos caminhos evolutivos que tenham tomado.

Os Espíritos que seguiram o caminho do mal poderão chegar ao mesmo grau de superioridade que os outros, mas demorarão mais tempo, porque terão que repetir as provas que fracassaram.

Depende da vontade do espírito apressar o seu progresso para a perfeição, submetendo-se à vontade de Deus.

Se desde o início, Deus tivesse criado todos os espíritos perfeitos, eles não teriam nenhum mérito para desfrutar dos benefícios dessa perfeição. Não há mérito sem luta. A desigualdade entre eles (diversidade da criação) é necessária para desenvolver a personalidade, e a missão que realizam nessas diferentes ordens está nos desígnios da Providência para a harmonia do Universo.

Os Espíritos são criados iguais quanto às aptidões intelectuais e progridem mais ou menos rapidamente em inteligência como em moralidade.

Anjos e demônios

Anjos, arcanjos, serafins são espíritos puros. Já percorreram todos os graus e agora estão no mais alto da escala e reúnem todas as perfeições. Uns aceitaram sua missão sem murmurar e chegaram mais rápido; outros levaram um tempo mais ou menos longo para chegar à perfeição.

É errônea a opinião de que há seres criados perfeitos e superiores a todas as outras criaturas porque o nosso mundo não existe de toda a eternidade e que, muito tempo antes que ele existisse, haviam Espíritos que já tinham alcançado o grau supremo de evolução.

Demônios, conforme o significado comum da palavra, supõem seres malvados por natureza, na sua essência. Seriam, como todas as coisas, criação de Deus. Assim sendo, Deus, soberanamente justo e bom, não pode ter criado seres predispostos, por sua natureza, ao mal e condenados por toda a eternidade. Se não fossem obra de Deus, seriam, forçosamente, como ele, de toda a eternidade, ou então haveria muitos poderes soberanos.

Os homens fizeram com os demônios o que fizeram com os anjos. Da mesma forma que acreditaram na existência de seres perfeitos desde toda a eternidade, tomaram também por comparação os Espíritos inferiores como seres perpetuamente maus. Pela palavra demônio devem-se entender Espíritos impuros que, muitas vezes, não são nada melhores do que o nome já diz, mas com a diferença de que seu estado é apenas transitório. Esses são os Espíritos imperfeitos que se revoltam contra as provas que sofrem e, por isso, as sofrem por um tempo mais longo; porém, chegarão a se libertar e sair dessa situação quando tiverem vontade. Podemos, portanto, compreender a palavra demônio com essa restrição. Mas, como se entende agora, com um sentido peculiar e muito próprio, ela induziria ao erro, fazendo acreditar na existência de seres especialmente criados para o mal.

 

 

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