UNIDADE IX - RETORNO DA VIDA CORPORAL À VIDA ESPIRITUAL

Imprimir

RETORNO DA VIDA CORPORAL À VIDA ESPIRITUAL

Capítulo III de O Livro dos Espíritos – Estudo de 07/05/2015 - Unidade 09

Quem nunca se perguntou:

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

Como é a vida do lado lá? O que acontecerá conosco quando “morrermos”?

Muitos tentaram explicar e desde Allan Kardec, a Doutrina Espírita nos traz informações confiáveis e detalhadas, que nos ajudam no preparo para este momento, que sabemos será inevitável para todos nós.

MUNDO ESPIRITUAL

A nossa Pátria real é a Espiritual, ou seja, no mundo dos Espíritos.
Nunca deixamos de estar no mundo espiritual, pois o perispírito que é o instrumento de vida no mundo espiritual, continua sempre existindo.

Estamos encarnados, por um breve momento da nossa existência, que é eterna, cada Espírito seguindo para o progresso individual, através da reencarnação e evolução social.

A vida do corpo é transitória e passageira.

A vida do Espírito é eterna. Nós somos Espíritos eternos, fadados a felicidade, que Deus determinou.

A ALMA APÓS A MORTE

Em questionamentos, os Espíritos esclarecem, que podemos chamar de alma os encarnados e ao se desprenderem dos laços físicos, podemos chamar de Espíritos.

Quando encarnados somos formados por: Espírito, Corpo Físico e Perispírito.

Quando desencarnados somos formados por: Espírito e Perispírito.

O períspirito é o que faz a ligação entre o Espírito e o Corpo, quando estamos encarnados.

O ato do Espírito deixar o corpo físico, é a desencarnação.

INDIVIDIALIDADE DA ALMA

Desencarnado cada um será exatamente como era antes, apenas não terá o corpo físico. Terá o corpo energético, que representa a aparência de sua última encarnação, que é o seu Perispírito.

A morte do corpo em nada os afeta, a não ser a mudança de estado. Não tira nada do Espírito, mantemos nossa individualidade.

PROVA DE INDIVIDUALIDADE

A prova de individualidade pode se ver nas comunicações recebidas do mundo invisível. Elas não são idênticas.

Sabemos que há seres bons e maus, sábios e ignorantes, felizes e desgraçados; que há Espíritos alegres e tristes, levianos e ponderados, etc. Estes são caracteres que os distinguem um dos outros.

A individualidade se torna ainda mais evidente, quando esses seres provam a sua identidade por indicações incontestáveis, particularidades individuais verificáveis, referentes às suas vidas terrestres.

Também não pode ser posta em dúvida, quando se fazem visíveis nas aparições.

A individualidade da alma nos era ensinada em teoria, como artigo de fé. O Espiritismo a torna manifesta e de certo modo, material.

MEMÓRIAS

Algumas pessoas quando desencarnam tem mais acesso a memórias tanto da vida presente, como de vidas passadas.

Outras não acessam, porque não sabem lidar com as memórias, de ver lances de outras vidas, em que praticou um crime, foi um mal caráter, abusou de parentes ou amigos, e que causou alguns danos a sociedade.

Os erros estão registrados em seu inconsciente e se acessar estas informações, a carga de emoções que vem, pode desequilibrá-la, assim, nem sempre é possível acessar e dependerá do grau de evolução da pessoa.

Os acessos as memórias, geralmente, acontece bem devagar.

O QUE LEVAMOS AO DESENCARNAR?

“Lembranças.” As lembranças, que podem ser doces ou amargas, de acordo com a forma que em vivemos.

Não levaremos pertences e quanto mais formos desprendidos das coisas, das pessoas, sentiremos menos saudades do que deixamos na terra.

SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO

A separação da alma no desencarne varia, mas o normal, é um desprendimento gradativo, lento, isto segundo os indivíduos e circunstâncias da morte.

Os laços fluídicos que prendem a alma ao corpo não se soltam senão aos poucos e quanto mais a vida tenha sido material e sensual, levará mais tempo no desligamento.

O perispírito e Espírito vão se desligando pouco a pouco, até a extinção dos fluidos vitais, que os prendem ao corpo.

Somente com o desencarne, há o rompimento do laço fluídico, durante o sono, os laços não se desfazem eles permanecem ligados.

Nosso períspirito fica ligado ao corpo

ESPÍRITOS EVOLUÍDOS - DESENLACE

O grau de evolução de cada Espírito desencarnado é o vai determinar o que vai acontecer no plano espiritual.

Para espíritos mais evoluídos a separação é mais rápida.

Para espíritos mais compreensivos e confiantes em Deus, levará um tempo, claro, mas de uma forma harmoniosa e segura, conseguindo até mesmo entrever o mundo espiritual de uma forma tranquila.

O desenlace ocorre de forma bem suave, principalmente quando se vê amigos e familiares, que estão ali para ajudar no desenlace.

ESPÍRITOS MENOS EVOLUÍDOS - DESENLACE

Para os espíritos menos evoluídos a separação é mais lenta.

As pessoas que são mais apegadas as coisas materiais, as sensações orgânicas, para estas demora mais o desprendimento, o desenlace.

Os menos evoluídos ficam desesperados ao ver os parentes desencarnados

“Espíritos evoluídos ou menos evoluídos, não sentem dor na separação da alma e do corpo. Sofrem mais durante a vida, do que na morte.

VIDA ORGÂNICA

Na agonia, a alma (o espírito), algumas vezes já deixou o corpo, mesmo assim pode haver nele, vida orgânica, sendo assim, a separação definitiva da alma, pode ocorrer antes da cessação completa da vida orgânica.

O corpo é uma máquina que o coração movimenta e existe vida orgânica, enquanto o coração faz circular o sangue nas veias, e para isso não necessita da alma.

MOMENTO DA MORTE

Muitas vezes a alma sente o desenlace e faz todos os esforços para se desprender mais rapidamente, assim como há outros que não querem se desprender, com medo e pelo apego a vida e por não compreendem que a vida não acaba ali, naquele momento.

Alguns acompanham o corpo, inclusive o próprio funeral.

Assim como tivemos ajuda para reencarnar, sempre teremos ajuda no desencarne.

PERTURBAÇÃO ESPIRITUAL

A alma ao deixar o corpo, não tem consciência imediata de si mesma, passa por um momento de perturbação, porém experimentam em graus e durações diferentes, pois dependerá da evolução que possui, podem levar horas, dias, meses e anos.

LIGAÇÃO A MATÉRIA

A maioria das pessoas ao desencarnar, não percebem que morreram e ficam ainda ligadas a sua casa, ao trabalho ou mesmo ficam a esmo.

Se veem exatamente como eram e não conseguem entender, pois está vendo, ouvindo e andando.

Há um desespero, onde se houvesse o conhecimento, poderia aliviar este sentimento e sensações.

ESPÍRITA NO DESENLACE

O conhecimento do espiritismo pode influenciar na duração desta perturbação, mas com certeza independente da doutrina escolhida, é a prática do bem e a consciência pura que exercem maior influência.

NÍVEIS DE PERTUBAÇÃO ESPIRITUAL

A perturbação que se segue à separação entre a alma e o corpo, através do fenômeno da morte, é variável de indivíduo para indivíduo, em grau e tempo de duração e tudo depende da elevação de cada um.

Aqui segue alguns níveis para enriquecer nossos estudos:

ESPÍRITOS MORALMENTE ATRASADOS

Um fenômeno muito frequente entre os Espíritos de certa inferioridade moral é o acreditarem-se ainda vivos, podendo esta ilusão prolongar-se por muitos anos, durante os quais eles experimentarão todas as necessidades, todos os tormentos e perplexidades da vida.

Para o criminoso, a presença incessante das vítimas e das circunstâncias do crime é um suplício cruel.

ESPÍRITOS EM MORTE COLETIVA

Nos casos de morte coletiva, tem sido observado que todos os que perecem ao mesmo tempo nem sempre tornam a ver-se logo. Presas da perturbação que se segue à morte, cada um vai para seu lado, ou só se preocupa com os que lhe interessam.

No livro O Consolador, questão 250, Emmanuel esclarece:

Na provação coletiva, verifica-se a convocação dos Espíritos encarnados, participantes do mesmo débito, com referência ao passado delituoso e obscuro.

ESPÍRITOS EM MORTE VIOLENTA

Nos casos de morte violenta, por suicídio, suplício, acidente, ferimentos, etc., o Espírito fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente sustenta que não o está.

No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende o por que de estar separado dele.

Acerca-se das pessoas a quem estima, fala-lhes e não percebe por que elas não o ouvem. Semelhante ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito.

Só então o Espírito se reconhece como tal e compreende que não pertence mais ao número dos vivos. Surpreendido de improviso pela morte, o Espírito fica atordoado com a brusca mudança que nele se operou.

Considera ainda a morte como sinônimo de destruição, de aniquilamento. Ele pensa, vê, ouve, tem a sensação de não estar morto.

Lhe aumenta ainda mais a ilusão, o fato de se ver com um corpo semelhante, na forma, ao precedente. Julga-o sólido e compacto como o primeiro, mas admira-se de não poder palpá-lo.

Observa-se o singular espetáculo de um Espírito assistir ao seu próprio enterramento como se fosse o de um estranho e falando desse ato como de coisa que lhe não diz respeito, até ao momento em que compreende a verdade, que se dá conta de sua situação.

Para alguém que desencarna por acidente, por invigilância ou por suicídio sabemos que vai esvaindo o seu fluido vital em grande sofrimento, não terá toda aquela preparação para se esgotar o fluido vital e ajuda. A pessoa ficará colocada à própria sorte, porque se rebelou contra os desígnios divinos, se rebelou contra a dor que ela mesma programou para si.

ESPÍRITOS SUICÍDAS

A perturbação no caso dos suicidas é sempre penosa, independentemente do gênero de suicídio.

Os efeitos do suicídio não são idênticos, porém há alguns, comuns a todos os casos de morte violenta e que são a consequência da interrupção brusca da vida.

Primeiro, a persistência mais prolongada e tenaz do laço que une o Espírito ao corpo, por estar quase sempre esse laço na plenitude da sua força no momento em que é partido, ao passo que, no caso de morte natural, ele se enfraquece gradualmente e muitas vezes se desfaz antes que a vida se haja extinguido completamente.

CONSEQUENCIAS DO SUICÍDIO

As consequências deste estado de coisas são o prolongamento da perturbação espiritual, seguindo-se à ilusão em que, durante mais ou menos tempo, o Espírito se conserva de que ainda pertence ao número dos vivos.

A afinidade que permanece entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo no Espírito, que, assim, a seu mau grado, sente os efeitos da decomposição, que lhe resulta uma sensação cheia de angústias e de horror. Este estado pode durar, pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção.

Não é geral este efeito. Cada caso é um caso e dependerá do que levou-o a tal ato.

Em alguns, verifica-se uma espécie de ligação à matéria, de que inutilmente procuram desembaraçar-se, a fim de voarem para mundos melhores, cujo acesso, porém, se lhes conserva interditado.

A maior parte deles sofre o pesar de haver feito uma coisa inútil, pois só decepções encontram.

Os Benfeitores afirmam que a única morte que lesa o períspirito e faz o espírito sentir a dor daquilo que exterminou a vida do corpo físico, é a morte pelo suicídio. Não é castigo, trata-se apenas do início do processo reeducativo que o espírito suicida precisará experimentar, para valorizar as suas existências corpóreas futuras, como instrumento de sua evolução.

ONDE FICAM OS SUICÍDAS?

De acordo com o livro de Yvonne Pereira “Memórias de um Suicida” um livro referência para este tema, os suicidas se encontram no “Vale dos Suicidas” que, embora ainda longe de zonas melhores, já é uma região de socorro e monitorada por espíritos na missão de resgatar para as câmaras de retificação.

Outros vão para as regiões umbralinas, região destinada a esgotamento de resíduos mentais; outros ainda, como conta no livro “Memórias de um suicida”, tornam-se presas de obsessores, que as vezes, também foram suicidas, entidades perversas e criminosas, que sentem prazer na prática de vilezas, e que continuam vivendo na Terra ao lado dos homens, contaminando a sociedade, os lares terrenos que não lhes oferecem resistências através da vigilância dos bons pensamentos e prudentes ações.

QUANDO OCORRE O RESGATE?

Todo suicídio produz traumatismo perispiritual e mental ficando o perispírito ainda impregnado dos fluidos vitais que deveriam ter sido utilizados na manutenção do corpo, o suicida sofre as consequências de ter rompido os laços de forças vitais que o prendiam ao envoltório material e que agora precisam se despojar. Esse período é de imenso sofrimento deixando o suicida em estado vibracional muito conturbado que naturalmente o mantêm nas zonas inferiores.

Somente quando o fluido vital começa a extinguir-se que o espírito suicida consegue sentir a presença de espíritos iluminados. Quando isto ocorre ele é imediatamente socorrido e levado para o Hospital Maria de Nazaré

MISERICÓDIA DE DEUS

O suicídio é sempre um ato de covardia e falta de fé na providência Divina, pois Deus sempre dá forças para suportarmos a tudo, quando Nele confiamos.

Mas nenhuma ovelha se perde e mesmo as que cometeram o suicídio, infligindo a sua lei, Deus em sua misericórdia, possibilitará a reencarnação afim de que o Espírito possa expiar a sua falta e seguir evoluindo.

“Espera pelo amanhã, quando o teu dia se te apresente sombrio e apavorante. Se te aparecem insuportáveis às dores lembra-te de Jesus. Ora, aguarde e confia. Joanna de Ângelis.”

NO MUNDO DOS ESPÍRITOS

A sensação de se ver no mundo dos espíritos, no desencarne, dependerá de como viveu.

Se escolheu o mal com desejo de praticá-lo ou o bem.

Se cultivamos amigos, com certeza, teremos amigos do lado de lá, a nos esperar e com alegria, dispostos a nos ajudar no desenlace e no retorno ao plano espiritual.

Tudo dependerá da vida moral que levamos, do merecimento que possuímos.

Que possamos agir agora em busca de uma boa desencarnação.

“Cada um morre, conforme viveu.” - Allan Kardec.

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos - Allan Kardec

Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec

Ação e Reação – Chico/André Luiz – Cap. 4

Obreiros de Vida Eterna – Cap. XIII

 

Destaques Batuíra