UNIDADES XII e XIII - VIDA ESPÍRITA I E II

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Mundo Espírita ou dos Espíritos

Trata-se da Encarnação dos Espíritos e da Finalidade da Vida Terrena, combatendo a inconstância do materialismo. A encarnação vai se tornar necessária enquanto a Matéria dominar o Espírito.

Após a morte do corpo físico, e a passagem pelas experiências características do desligamento entre corpo e alma, o Espírito retorna ao mundo Espiritual, reintegrando-se a uma nova forma de vida em outro Plano Vibratório. Neste plano o homem desencarnado lida com um fluido multiforme que pode se definir como um subproduto do fluido cósmico universal.

O Perispírito sem o corpo físico, mais sútil em suas propriedades, faz com que o Espírito sob o comando do pensamento e vontade, proporcione as transformações necessárias à sua adaptação neste novo plano.

Após todo este processo, o Espírito se encontra na Erraticidade, ou seja, o Espírito se encontra num intervalo de encarnações, onde  não se encontra Encarnado e recebe o nome de Espírito Errante.

A Palavra Errante vem do francês ERRANT, que significa: ”O que não é fixo, o que vagueia”.

Os Espíritos não se fixam numa determinada localidade do plano espiritual, em decorrência do aprendizado que necessitam desenvolver.

O Espírito Errante é aquele que aspira a um novo destino e espera.

Na categoria de Espírito Errante,  tem necessidade de um planejamento para seu futuro  progresso e para que isto ocorra, é necessário que no plano espiritual ele  resgate suas Lembranças de Existências Corpóreas, para que possa entender a situação em que se encontra; onde progrediu e onde precisa melhorar. Lembra à medida que precisa de informações, podendo se lembrar de minúcias se isso for de alguma utilidade.

As vidas passadas podem ser apresentadas de duas formas para o Espírito:

1-Através de um quadro diante de sua memória, como se fosse um filme transmitindo em sua mente,

2-Ou através de sua imaginação (As ideias dos Espíritos sofrem grandes modificações à medida que se desmaterializa, conseguem ver as coisas mais claramente, e procuram um meio para melhorar).

Percebe também na Erraticidade, o que falta para ser feliz, e os meios para alcançar. Para isto, o estudo, aconselhamento de Espíritos que são superiores e as observações de experiências vivenciadas, entre outros, lhe facultam os meios de melhoria espiritual.

Em pleno gozo de seu livre arbítrio, o espirito começa a planejar seu retorno a vida corpórea escolhendo o gênero das provas que há de passar. Deus na sua infinita bondade deixa para o Espírito a responsabilidade dos seus atos e as consequências que estes tiverem. Os que executarem esta tarefa com êxito, gozarão mais cedo do resultado de seu trabalho.

Provas e expiações são disciplinas e corretivos aplicados ao nosso Espírito, para libertação definitiva.

Escolha das Provas:

A liberdade desta escolha, está em consonância com as condições de se fazer uma opção correta com vistas aos próprios interesses espirituais.

Não se escolhe nem prevê tudo o que sucede no mundo, escolhe-se apenas o Gênero das Provações, usando o seguinte critério:

1-O Espírito se orienta pela natureza de suas faltas (escolhem as que levam a expiação para progredir mais depressa)

2-Outros impõem a si mesmos uma vida de Misérias e Privações, objetivando suportar com coragem.

3-Outros preferem as tentações da Riqueza e do Poder (muito mais perigosas).

4-Outros pelo Vício: Lutas constantes

Provas menos dolorosas, não se dá com frequência para a escolha do Espírito, pois logo que se desliga da matéria, cessa a ilusão, e passa a pensar de outra maneira.

O Espírito pode às vezes, enganar-se e escolher uma prova que esteja acima de suas forças, pode também fazer uma escolha que nada aproveite, se buscar uma vida ociosa e inútil. Mas voltando ao mundo espiritual, vê que nada ganhou e pede outra prova para recuperar o tempo perdido.

Relações Além do Túmulo

No Plano Espiritual os Espíritos obedecem a uma Hierarquia. Tal como uma cidade Grande, as sociedades se formam por analogia de gostos, virtudes e vícios. Os homens de todas as classes e todas as condições se vêem e se encontram, sem se confundirem. Afastam-se e se aproximam segundo semelhanças ou divergências de sentimentos.

Espíritos de categorias iguais se reúnem por: Afinidades, Simpatias ou Aversões

Os benfeitores esclarecem: “ Eles se reúnem com uma espécie de afinidade e formam grupos ou famílias, unidos pelos laços da Simpatia e pelos fins que visam.” Os bons pelo desejo de fazerem o bem, os maus, pelo desejo de fazer o mal, pelas vergonhas de suas faltas, e pela necessidade de se acharem entre os que se assemelham.

A verdadeira Simpatia, consiste na afeição mútua entre seres que se consagram na terra e continuam a existir no plano espiritual.

A Antipatia recíproca e ódio, são consequências de relações de inimizades do passado, característica de Espíritos Imperfeitos.

É desta maneira que no Plano Espiritual, segundo mérito e grau de desmaterialização, o Espírito com um senso moral desenvolvido, tem como recompensa passar a mundos de ordens mais elevadas, enquanto outros se vêem obrigados a uma vida corporal cheia de angústias, permanecendo em mundos infelizes e inferiores. O nosso grau de evolução determinará a ordem de Espíritos que almejaremos  alcançar:

1-Espíritos de ordem Elevada: Só por um breve momento se aproximam da terra. Para eles as coisas terrenas são pequenas em relação às grandezas do Infinito.

2-Espíritos de Ordem Intermediária: São os que mais frequentemente baixam no planeta, porém possuem um ponto de vista mais alto que os encarnados.

3-Espíritos Vulgares: São os que mais constituem a massa de população invisível do globo terráqueo. Conservam as mesmas idéias e inclinações que quando revestidos no invólucro corpóreo.

Mas também entre eles há os sérios que vêem e observam para se instruírem e se aperfeiçoarem.

Metades Eternas:

A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, Segundo a categoria que ocupam, segundo a perfeição que tenham atingido.

Quanto mais perfeitos mais unidos. Da Concórdia resulta a completa felicidade.

É importante ressaltar que INEXISTE a união particular e fatal de duas almas.

Assim é inexata a expressão METADES ETERNAS usadas para designar certos Espíritos simpáticos, unidos por uma grande afeição, uma vez que o Espírito fosse a metade do outro, separados os dois ,ambos estariam incompletos.

Almas Gêmeas:

Emmanuel designa o termo Alma Gêmea como:

“Dois Espíritos mais intimamente  ligados nas experiências evolutivas”.

Atingida a culminância evolutiva todas as expressões afetivas se imanaram para conquista do amor divino.

Mundos Transitórios

Após a morte, no plano espiritual, migraremos para esferas representativas segundo o grau de luminosidade e de felicidade, em que nos encontrarmos e a que melhor se adapte à nossa condição espiritual. Estaremos em contato com diferentes moradas que circulam o espaço infinito, oferecendo ao Espírito estações apropriadas ao nosso adiantamento.

Independente da diversidade dos mundos, essas palavras  de Jesus também podem ser interpretadas como uma morada interior.

A nossa  morada é tudo o que forma o nosso ser . Enquanto uns não podem se afastar da esfera onde viveram (com suas percepções e sensações, num estado desgraçado), outros  se elevam e percorrem espaços e mundos (no seu estado venturoso).

Estaremos em Mundos primitivos ou Mundos Regeneradores ou Mundos de Expiações e Provas ou até em Mundos Felizes.

Todos os globos que se movem no espaço sideral são habitados, porém se destacam dois pontos em relação a tais mundos:

1-      Não se conservam perpetuamente destinados a receber Espíritos Errantes: A condição deles é meramente temporária

2-      Seres corpóreos não habitam esses mundos, pois sua superfície estéril não favorece a reencarnação. Entretanto esta esterilidade é meramente temporária, em relação da evolução natural do mundo.

Percepções, Sensações e Sofrimento dos Espíritos

Sofrem os Espíritos? Que Sensação experimentam?

Sabemos que o corpo é instrumento da dor. A Alma tem percepção da dor. A lembrança que a alma conserva pode ser penosa, porém não é física.

As percepções de frio e calor também não são capazes de desorganizar o tecido da alma, pois ela não é suscetível de queimar nem congelar.

Sabemos que sofrimentos Morais (remorso, vergonha), existem, porém, o Espírito ao se queixar de frio e calor não é em vão, pois  tem  sensações e percepções medidas pelo Perispírito. Se o Perispírito é o liame que une a alma ao corpo, e tudo fica estampado nele, logicamente se ele não romper totalmente com o corpo ele vai continuar tendo sensações e percepções fortes. Sensações desagradáveis se localizam no corpo semi material, expressando a inferioridade ou a materialidade do Espírito.

Percepções logo após a Morte:

Por ocasião da Morte, o Perispírito que se desprende mais ou menos lentamente do corpo, nos primeiros minutos depois da desencarnação, fica confuso não encontrando explicação para situação que se encontra.

Vê que está morto, se sente vivo por estar ao lado do corpo que lhe pertence, mas não compreende que esteja separado dele.

Percepções dos Espíritos em relação ao:

Tempo:

Os séculos tão longos para nós, não passam para os Espíritos de instantes que se movem na eternidade. Para eles o tempo presente deixa de existir.

Presente:

Dependendo do grau de elevação que tenham alcançado, podem fazer do presente uma ideia mais precisa que nós.

Passado:

Desencarnados se desvencilham do véu material, eles podem ter maior conhecimento do passado. O passado para eles é presente.

Futuro:

Quanto mais se aproximam de Deus, mais claramente vêem o futuro, mas nem sempre é permitido revelá-lo.

Percepção de Deus:

Inferiores sentem e adivinham. Superiores ,vêem e compreendem.

Percepção Visual:

Quanto menos evoluído, mais limitada é sua visão. A faculdade de ver, reside em todo o seu ser.

Percepção Sonora:

Quando encarnados as percepções chegam pelo conduto dos órgãos.

Quando Espíritos, deixam de estar localizados, percebem até aquele que para nós são imperceptíveis.

Imperfeitos, vêem e ouvem o que lhes possa ser útil.

Percepção Musical:

A Música possui infinitos encantos para os Espíritos, possuem suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas. A Música celeste é o que tem de mais belo.

Percepção das Belezas Naturais:

Os Espíritos são sensíveis às belezas da natureza de acordo com as aptidões que tenham para apreciá-las e compreendê-las.

Comemoração dos Mortos:

A comemoração dos mortos é iniciativa Gaulesa. A Gália ocupava um território que hoje é a França. Os Gauleses festejavam no primeiro dia de novembro, a “Festa dos espíritos”, que se realizavam não em cemitérios, mas sim em cada habitação, onde videntes e Médiuns, na época evocavam as almas dos defuntos. Os Gauleses não honravam os cadáveres, tanto é que os despojos de seus guerreiros mortos, eram abandonados no campo de batalha, indignos de atenção. Seu templo era a floresta e a vida verdadeira era a Espiritual.

Morrer, para depois Renascer, deixa de ser o maior segredo em toda vida, pois o grande e divino pensamento do Mestre dos mundos revelado é agora para todos.

Kardec, por muito tempo teve hábito de comemorar o dia dos mortos, mas não como denominavam na época. Segundo informações ,o codificador desde 1857  se reunia com seus irmãos na sociedade de Paris, por testemunho particular de simpatia aos irmãos falecidos.

Registrado por ele mesmo ,a Revue Spirite(1864)consta:

Estamos reunidos, neste dia consagrado, pelo uso à comemoração dos mortos, para darmos aos irmãos que deixaram a terra, um testemunho particular de simpatia, para continuarmos as relações de afeição e de fraternidade, que existiam entre eles e nós, quando eram vivos, e evocamos sobre eles a bondade do todo poderoso” .

No  dia da comemoração dos mortos os Espíritos :

  1. Atendem o chamado do pensamento,
  2. Reúnem-se nas sepulturas pelo número de pessoas que chamam,
  3. Sua aparência é a mesma de vida.
  4. Os Espíritos não se sentem esquecidos em tumbas não visitadas, somente o coração prende aos que amam.
  5. Só a prece santifica o ato de lembrar.
  6. Homenagem com estátuas e monumentos são menos sensíveis. As lembranças são mais importantes
  7. O desejo de ser enterrado em certos locais demonstra inferioridade moral, pois a alma se reúne com os que ama, mesmo que seus ossos estejam separados.

A alma que volta a vida Espiritual, num  certo grau de perfeição, compreende as futilidades das coisas terrenas, portanto as honras que lhe  tributam, fazem apenas  parte do mundo material.

Funerais:

Quando comparecemos a um velório cumprindo o sagrado dever de solidariedade, devemos exprimir o respeito pelo ambiente e principalmente o empenho para ajudar o morto.

Imagina a situação desconfortante do espírito ,ainda ligado ao corpo, mergulhado num oceano de vibrações heterogêneas.

O desencarnante em estado de inconsciência, recebe o impacto destas vibrações que o atingem, ele luta para despertar, readquirir o domínio do corpo, e não conseguindo fica angustiado e aflito.

Quanto maior o número de pessoas, mais heterogênea as conversas, maior o impacto sobre o falecido.

Muitas vezes, Velório vazio, enterro solitário, os benfeitores espirituais conseguem realizar mais tranquilamente a libertação do prisioneiro da carne.

Richard Simonetti no livro Quem tem medo da morte, fala de um velório cujos familiares eram espíritas(conscientes dos problemas relativos ao desligamento),sem aparatos ,com flores e música suave, todos eram convidados  a meditação. Por duas outras vezes eram lidos textos espíritas  relacionados com a morte.

Deve se pensar que na dimensão física, a sensação é de perda pessoal, atmosfera de tristeza, e dolorida saudade; porém na dimensão espiritual é de alegria de familiares e amigos num reencontro feliz.

Questão :328 O Espírito daquele que acaba de morrer assiste às reuniões de seus herdeiros?

– Quase sempre; isso lhe é permitido para sua própria instrução e para castigo dos culpados. O Espírito julga nessa hora o valor das manifestações honrosas que lhe faziam. Todos os sentimentos dos herdeiros se tornam claros como são de fato, e a decepção que sente ao ver a cobiça daqueles que partilham seus bens o esclarece quanto a esses sentimentos. Porém, a vez deles chegará igualmente.

“A morte é como um ladrão, ninguém sabe, quando e aonde virá”.Devemos estar sempre preparados, vivendo cada dia como se fosse o último, aproveitando o tempo num esforço disciplinado e produtivo em favor da edificação humana.(Richard Simonetti)

Somos Espíritos Eternos cujo a morada definitiva e legítima se situa no Plano Espiritual, pois  neste plano, nos encontramos  transitoriamente encarcerados na carne, para  enfrentar dificuldades e limitações para lapidar nossas imperfeições.

“Aprende a viver bem e bem saberás morrer”. (Confúcio)

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