XXIII UNIDADE - LEI DE SOCIEDADE E LEI DE PROGRESSO

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LEI DE SOCIEDADE E LEI DE PROGRESSO

 

I – EVOLUÇÃO

André Luiz considera a Lei da Evolução o principal fundamento da Doutrina Espírita em “Evolução em Dois Mundos” e afirma:

“...propomo-nos salientar que a Lei da Evolução prevalece para todos os seres do Universo, tanto quanto os princípios cosmo cinéticos, que determinam o equilíbrio dos astros são, na origem, os mesmos que regulam a vida orgânica, na estrutura e movimento dos átomos.”

O homem atua sobre o plano material, criando ou transformando o espaço em que vive. Os espíritos interferem nos planos mais elevados – essa ações são as forças “co-criadoras” que fundamentam a Evolução do Universo.

Emmanuel, em “Emmanuel”, considera:

“os progressos da vida terrestre podem ser verificados; há na Terra, toda uma escala grandiosa de ascensão”.

“No fundo dos oceanos ainda existem os infusórios, os organismos unicelulares, que remontam a um passado multimilenário e cujo aparecimento é contemporâneo aos princípios da vida organizada na Terra. Longa tem sido a trajetória dos Espíritos!...”

“A racionalidade é a expressão do progresso anímico da Terra. Deste ponto, o Homem (Espírito) encontra-se no limiar da existência em esferas, onde a matéria rarefeita oferece novas modalidades à vida".

II – LEI DA SOCIEDADE

II a - SER SOCIAL

“O HOMEM É UM SER SOCIAL”

A sociabilidade é um instinto natural no homem, é um imperativo da evolução, tanto no sentido material quanto espiritual.

Da mesma forma como ele procura se associar aos semelhantes para sua proteção e sobrevivência, ele consegue, pelo convívio social, desenvolver-se afetivamente e intelectualmente, através da constante troca de experiências. “ No isolamento ele se embrutece e debilita”. (L.E. pergunta 768).

Portanto do instinto material, chega-se a um “instinto espiritual”, que observamos na história da civilização, com a transformação do homem bárbaro, coletor e caçador, para o homem civilizado.

A sociedade deve ter como fim supremo, a promoção do bem estar e a felicidade de todos que a compõem. Para tanto, precisa de regras gerais de procedimentos alicerçados na Justiça e na Moral, que são construídas através das virtudes humanas, apresentadas pela consciência de nosso deveres para conosco mesmos (amor ao trabalho, responsabilidade, temperança, controle emocional, etc...) e para com a comunidade que integramos (cortesia, desprendimento, generosidade, honradez, lealdade, tolerância,  espírito público, etc...).

II b – ISOLAMENTO

“Deus não pode ter por agradável, uma vida pela qual se condena a não ser útil a ninguém” (L.E. pergunta 769).

Afirmam os Espíritos que o isolamento absoluto é contrário à lei natural. O homem sozinho não possui todas as qualidades necessárias para a sua evolução. Pela união social, encontram-se as faculdades completas que irão assegurar o bem estar e o progresso. O isolamento é uma omissão do Bem e assim, um Mal maior. É uma atitude egoísta e só se justifica quando representa uma ação de caridade, ou um trabalho específico, como afastar-se do seu meio, para ajudar uma comunidade, ou para uma pesquisa específica, que trará um bem a todos.

II c – LAÇOS DE FAMÍLIA

“O positivista Augusto Comte considera a família como célula básica da sociedade, o embrião e o modelo desta, de maneira que a sociedade perfeita é a que funciona como uma família”. (Código de Direito Natural Espírita” – José Fleury Queiroz).

Spencer a considerava como instituição que deu forma à vida social. Marx e Engels, como a primeira forma de interação humana.

Hoje, os modernos conceitos da Sociologia e da Psicologia Social, bem como a Psicologia do Indivíduo, reconhecem a importância básica da família.

Os espíritos, no Livro dos Espíritos, afirmam:

“...os laços sociais são necessários ao progresso e os laços da família estreitam os laços sociais: eis porque os laços da família são uma lei natural. Deus quis que os homens aprendessem assim, a se amarem como irmãos”. (L.E. – pergunta 774).

II d – O FUTURO

Existem várias obras onde os autores procuram imaginar os caminhos do nosso planeta, em função do desenvolvimento material e intelectual do homem.

São duas linhas, uma otimista que descreve Utopias, com uma sociedade, que tem sua estrutura formatada nas leis naturais. Outra, as chamadas Distopias, onde o predomínio do egoísmo conduz a um mundo de intolerância, fanatismo, ignorância, coibindo o progresso espiritual.

Temos, portanto, que avaliarmos as grandes questões sociais, sob a luz da Doutrina, para exercermos a nossa influência na construção do futuro.

Como exemplos destas questões, temos:

*A família vai acabar? – Como avaliarmos as mudanças nas estruturas familiares? Serão das evolutivas? Como entender as famílias homossexuais?

* Crianças feitas em laboratórios?

*Uma nova moral?

Herculano Pires, no artigo “Amor e Família em Novos Tempos”, o livro “Curso Dinâmico de Espiritismo”, afirmou que Allan Kardec quem melhor colocou o problema da família, discutindo as causas determinantes. Ele nos oferece um esquema com uma tríplice formação familiar:

1-A família carnal – formada a partir dos clãs primitivos. São famílias consanguíneas, que se desfazem com a morte.

2-A família mista (carnal e espiritual) – em que os conflitos do amor e ódio entram em processo de solução. Iniciam-se os reajustamentos das lutas e experiências. Com sucessivas reencarnações grupais, se estabelecem relações simpáticas.

3-A família (espiritual) – resultante de todos estes processos reencarnatórios. Ela não perece e não se desfaz com a morte e cresce na direção das Humanidades Superiores.

Assim, se o homem consegue estender seus laços familiares ao seu próximo, irá construir uma sociedade baseada nas Leis Naturais/Divinas e preparada para o desenvolvimento material, moral e intelectual, gerada através do progresso.

III – LEI DO PROGRESSO

III a – ESTADO NATURAL

“O estado natural é o estado primitivo”

Kardec, ao comentar a resposta da pergunta 776, do Livro dos Espíritos, afirma: “O estado natural é a infância da Humanidade e o ponto de partida de seu desenvolvimento intelectual e moral. O homem, sendo perfectível, e carregando em si o germe de seu aperfeiçoamento, não está destinado a viver perpetuamente no estado natural, como não está destinado a viver perpetuamente na infância. O estado natural é transitório e o homem dele se liberta pelo progresso e pela civilização. A lei natural, ao contrário, rege a Humanidade inteira, e o homem se aperfeiçoa à medida que compreende melhor e pratica melhor essa lei.

O Livro dos Espíritos foi publicado em 1857 e “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin em 1859.Os dois representam uma grande virada na história da humanidade, pois detonam o orgulho de uma sociedade ufanista de sua origem “especial”, criada à “Imagem do Criador”.

Com Darwin, conheceu-se a origem humana, num desenvolvimento evolutivo, e Kardec apresentava o Espírito como produto de um longo processo evolutivo a partir de um princípio inteligente.

III b – A MARCHA DO PROGRESSO

O Espírito Emmanuel, em “Emmanuel”, psicografia de Chico Xavier, demonstra o desenvolvimento do Espírito Humano: “Da irritabilidade à sensação, da sensação à percepção, da percepção ao raciocínio... a racionalidade do homem é a suprema expressão do progresso anímico que lhe pode prodigalizar”.

Os espíritos afirmam que “O Progresso Completo é o Objetivo”, mas que esse progresso não é constante e igual entres os povos, “o homem pode escolher”. Através do uso do livre arbítrio, o homem pode ou não criar obstáculos ao progresso, principalmente pelo egoísmo e orgulho. Mas o progresso, nas palavras de Kardec, “é uma força viva que as más leis podem retardar, mas não sufocar”.

Há duas espécies de progresso: O Moral e o Intelectual. Tem-se nos tempos modernos grande progresso intelectual, superando muito o moral. Esta defasagem provoca o desequilíbrio social, pelo qual passa nosso planeta. Criam-se abalos, que fazem com que surjam tantas dores, sofrimentos, angústias...apesar de todo o desenvolvimento.

“Quando a Lei de Deus for, por toda parte, a base da Lei Humana, os povos praticarão a caridade de um para com o outro, como os indivíduos de homem para homem” (L.E. pergunta 789).

III c – POVOS DEGENERADOS

“Os povos que não viverem senão a vida do corpo, aqueles cuja grandeza não está fundada senão sobre a força e a extensão, nascem, crescem e morrem, porque a força de um povo se esgota como a de um homem. Aqueles cujas leis egoísticas discordam do progresso das luzes e da caridade, morrem porque a luz mata as trevas e a caridade mata o egoísmo. Mas há para os povos, como para os indivíduos, a vida da alma. Aqueles, cujas leis se harmonizam com as leis eternas do Criador, viverão e serão a luz dos outros povos” (L.E. perg.788).

A história é repleta de exemplos de povos que se degeneram. São consequências dos domínios do egoísmo e orgulho, produzindo grandes desequilíbrios e destruições. Os espíritos afirmam que os povos, cuja grandeza está fundamentada sobre a “força e a extensão”, terão seu meio esgotado.

“Aqueles cujas leis egoísticas discordam do progresso das luzes e da caridade, morrem porque a luz mata as trevas e a caridade mata o egoísmo. Mas há para os povos, como para os indivíduos, a vida da alma. Aqueles cujas leis se harmonizam com as leis eternas do Criador, viverão e serão a luz dos outros povos. (L.E. pergunta 788).

III d – CIVILIZAÇÃO

“Mesmo as épocas de opressões são dignas de respeito, porque são obras da humanidade, portanto de natureza criadora, e se a época que vivemos é de dor, devemos amá-la mais ainda, dissipar as montanhas, porque, além delas, haverá luz”. (Louis Pawls – “Despertar dos Mágicos”.).

As civilizações são obras dos espíritos encarnados, reflexos deles, incompletas em seus variados graus. É um estado de transição, carregam seus males, como também os remédios para eles.

“À medida que a civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que engendrou e esses males desaparecerão com o progresso moral” (L.E. pergunta 793). Em “Obras Póstumas”, Kardec, em estudo sobre as aristocracias”, apresenta as formas de condução das civilizações, que servem para melhor entende-las.

Aristocracias Patriarcal – Sociedades primitivas, com a autoridade dos anciões (patriarcas).

Aristocracia da Força Bruta – O relacionamento com os povos vizinhos trazem as discordâncias e guerra, a autoridade passa aos homens fortes e vigorosos (chefes militares).

Aristocracia de Nascimento – Os fortes passam a transmitir o poder a seus filhos, herdeiros do poder e as conquistas dos pais.

Aristocracia do Ouro – Para estender seus domínios e atender suas necessidades, os homens desenvolvem sua para busca para os recursos. O poder é transferido para o “ouro”.

Aristocracia da Inteligência – Os homens começam a perceber que podem fazer fortuna, usando a sua inteligência. Surge uma outra potência, mais justa – a da inteligência.

Aristocracia Intelecto-Moral – a inteligência não significa nada sem moralidade, também a simples moralidade nada significa sem competência. É necessária a união da inteligência e da moralidade para alcançarmos justiça e luz.

III e – PROGRESSO DA LEGISLAÇÃO HUMANA

“Ela (sociedade) poderia ser regida pelas Leis Naturais, se os homens as compreendessem bem, e seriam suficientes se houvessem vontade de as praticar.  Mas a sociedade tem suas exigências e precisa de leis particulares”. (L.E. pergunta 794).

O desenvolvimento de civilização traz novas necessidades e novos desejos (às vezes supérfluos) aos homens e isto os levaram a regular os direitos e deveres nessas condições, através de leis humanas. Leis mutáveis, sujeitas ao grau de evolução dos povos, que as modificam, as adaptam à proporção que evoluem.

“Uma sociedade depravada tem, certamente, necessidades de leis mais severas. Infelizmente, essas leis se interessam mais em punir o mal, quando está feito, do que secar a fonte do mal. Não há senão a educação para reformar os homens; então, eles não terão mais necessidade de leis tão rigorosas. (L.E. pergunta 796).

Assim, as leis humanas podem ser reformadas, desenvolvendo-se, conforme a evolução moral dos indivíduos da sociedade. É natural que a influência dos homens de bem, produzam essas reformas. Uma visão dessa sociedade, estabelecida nas leis naturais, pode ser encontrada no capítulo “Sociedade”, do livro “O Consolador”, por Emmanuel, na psicografia de Chico Xavier.

III f – INFLUÊNCIA DO ESPIRITISMO SOBRE O PROGRESSO

“As ideias não se transformam senão com o tempo, e jamais subitamente (L.E. pergunta 798).

O Espiritismo, destruindo o materialismo, transformando os homens pelo desenvolvimento moral e intelectual, pode ser o grande agente a impulsionar o progresso social.

“As ideais se modificam pouco a pouco, segundo os indivíduos, e é preciso gerações para apagar completamente os traços a dos velhos hábitos” (L. E. pergunta 800)

 

BIBLIOGRAFIA

Livro dos Espíritos – Allan Kardec

Obras Póstumas – Allan Kardec

Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec

O Consolador – Emmanuel (Chico Xavier)

Emmanuel – Emmanuel (Chico Xavier)

As Leis Morais – Joana D’Angelis (Divaldo)

Darwin e Kardec – Um Diálogo Possível – Hebe Laghi de Souza

Código de Direito Natural Espírita – José Fleury Queiroz

Curso Dinâmico de Espiritismo – Herculano Pires

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